quarta-feira, 29 de junho de 2011

Bálsamo e açoite

Trago no peito, na boca e na pele, mas quando te expurgo nas letras é que vejo a real dimensão que tens em mim.


Escrita que liberta, que sangra, que cura, que lembra, que sara, que dói.
Das armas e socorros que dispomos por nós mesmos, a escrita é de todas, a mais paradoxal.




"Diz que fui por aí - Fernanda Takai"

Camila Lourenço

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Instável


Digo fica sussurrando tchau.
Vou pro norte olhando compulsivamente para o sul.
Aperto o play e continuo pausada.
Piso em ovos sem necessitar.
Guardo beijos por guardar, pra não violar o contrato que meu coração não quebrou.
Dou risada pra fora, clamando por dentro.
Ando com os pés cravados no chão.
Desempeno asas.
Pisco para não ver e não durmo pra não perder de vista.
Odeio sem odiar.
Sinto a ausência pulsando no meu estômago.
Tiro férias da vida e continuo nela me arrastando, com um sorriso irônico grudado na cara e a contradição e todos os sentimentos confusos encontram em mim seu lugar.
De mim já não sou, e estou num lugar onde sou forte demais pra ficar e fraca demais pra sair.
Sou um vulcão em erupção. Sou o gelo do ártico.
Dou tapa na tristeza e digo a ela bem gritado:"vaza, porque aqui não é seu lugar."
Confio na vida, nas voltas e espero com um sorriso maroto pendurado nos lábios as surpresas nem tão surpresas assim que a vida trata de nos encaminhar.

Camila Lourenço

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Um novo tempo

Abra os braços e se deixe livre. Na vida, fica o que é pra ficar.

Ele chegou e sentou do meu lado na cama. A principio, não me disse nada, só me olhou com aquele olhar todo cheio de amor. Eu retribui o olhar e suspirei, já fazendo bico. Ele pegou minha mão e me levou pra janela e mesmo sendo a mesma janela que dia após dia eu olhava, não foi o cenário de sempre que vi. Vi gente triste, com frio, criança magra e suja e senti um arrepio tomar meu corpo. Ele esperou eu contemplar aquela cena durante algum tempo e depois me pegou pela mão novamente e me levou pra porta de casa, lá eu vi um céu azul e cores quase irritantes de tão lindas e vivas. Ele não me disse nada, só olhou pra mim novamente, beijou minha testa e antes de sumir e voltar pra minha mente e coração, sussurrou no meu ouvido:"Eu estou cuidando de você". Bastou.
Dei o primeiro passo pra fora de casa e me lembrei da vida e de tanta gente que as vezes, só precisa de um sorriso pra florir. Deixei a água do "tudo passa" me lavar e levar o que precisava ser levado e aceitei e abracei o novo tempo que já estava aqui.


"Times Like These - Foo Fighters"

Camila Lourenço
P.S: Obrigada Juliana Alves e à Renata e Cibele, donas de blogs fofíssimos (vale a visita) que me ofereceram um lindo selinho. Este blog não tem o costume de repassar selos, mas agradeço de coração a consideração.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Precioso

Tá vendo esse sorriso aqui, menino bobo, meio anjo, meio demônio?
É porque você existe. Só porque você existe.



Camila Lourenço

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Como se enterra o que está vivo?

Esse canto é pela vida e pela morte. Afinal, o fim de uma é sempre o início da outra.

Quando eu me levantei depois de ter feito aquela prece, fiquei pensando em como faria aquilo, como enterraria algo vivo, como eu tinha prometido pra mim que enterraria.
É bem verdade que ele facilitava demais aquele velório, quando olhava pra mim com aquela cara e falava com a mesma voz mansa como se aquela morte sem a presença da morte não lhe afetasse em nada. Juro que as vezes eu sentia vontade de ir lá e o esbofetear, bater até chorar, não ele, eu, e fazer ficar mais fácil aquele desapego, mas eu não conseguia. Queria mandar ele a puta que o pariu, mas não conseguia... Ele, que sempre tinha tido cor de doce, cores, mesmo nos momentos mais críticos, tinha agora um gosto que eu não sabia definir, nem odiar. Não era de jiló, que odeio, nem de jurubeba, que não suporto. Era de não sei o quê, de fome sem vontade de comer. As vezes o gosto parecia com isopor, de nada, e mesmo descendo rasgando pela minha garganta, eu preferia e escolhia engolir. Uma parte do meu eu queria deixar tudo ali e partir, vazar, virar fumaça, abraçar o mundo e falar "vai se ferrar", mas, a outra, aquela que tomava conta dos 90% de mim, queria ir lá, deitar naquele colo mais uma vez, dizer um monte de coisas sem nexo e ainda assim, com total sentido e sorrir, rir aquele meu riso besta que sempre se abria quando a gente se permitia. Nesse momento eu o odiava. O odiava e odiava também a mim, por ter me permitido algo que eu teria que enterrar, mas, nada mais se podia fazer. Voltaríamos para as nossas gaiolas bonitas e de poses puritanas.
Desci vagarosamente a rua que me levaria para onde ele morava em mim. Passei dois dias cavando a tal vala, o tal túmulo. Quando chegou enfim a hora de jogar aquilo que eu nunca chamei de amor naquele chão sujo, eu o abracei forte e olhei pra ele ali, em mim, tão lindo, tão tudo errado e certo e sem coragem de fazer aquilo com ele, fiz comigo. Deitei naquele chão frio e joguei terra, era eu deitada, e eu enterrando. E num misto de ódio, revolta e todo o tipo de sentimento sincero que eu me permiti sentir me prometi que aquilo de meu enterrado morreria pra sempre, e dessa vez eu jamais andaria conscientemente onde meus pés - e coração - fossem conhecer o fim.
Entre mortos, feridos, emputecidos, enraivecidos, tristes, salvaram-se todos. E como dizem por aí, foda-se o resto. A vida ainda está aqui.
Mas uma coisa eu não posso negar: Aquele filho da mãe faz uma falta maior que eu jamais poderia imaginar e eu queria tanto, mas tanto que ele ficasse aqui, mesmo que doendo, que o que eu precisava neste momento, era mesmo, sepultar tudo aquilo de mim.



"Wish You Were Here - Pink Floyd "

Camila Lourenço

Onisciência


Quando eu não sei o que falar, olho para o céu em silêncio e minha fé, ainda que pequena, me faz ter a leve sensação de que de alguma forma, Ele pode me ouvir, mesmo sem uma palavra sequer eu pronunciar.


Camila Lourenço

sábado, 18 de junho de 2011

Ei, universo...chega mais

"Algumas formas de amor não são justas não, são exemplares mesmo."

Um livro chamado vida com a tristeza do tamanho da gota da lágrima do reencontro, recheado com uma sucessão de continuações felizes. Uma guerra de beijos e um afogamento de abraços. Uma tristeza virando sorriso, uma solidão transformando-se em amigos, uma proteção do acaso em forma de Deus, uma pitada de otimismo, uma dose sem tanto de amor e uma fé de irritar no "calma, no fim tudo dá certo".
Tá feito meu pedido. Embrulha ai, vou levar.

"Toda forma de amor - Lulu Santos"

Camila Lourenço