quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Mantra

Livre mesmo a gente descobre que é quando sente no peito a capacidade 
de continuar de pé, apesar de qualquer "apesar de".

Como o vento,
Como a água,
Como a vida,
Vai passar.
Como a idade,
Como o inverno,
Como o verão,
Vai passar.
O desespero dá lugar pra paz quando entendemos que na vida, além da vida, nada é eterno. Nem a alegria, nem a dor.






Camila Lourenço




segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Tá chegando!!!


Bom dia, galera!
Tá chegando o dia que meu novo site entrará no ar. Tumtumtum! rs
Muita coisa aconteceu na minha vida desde que comecei com esse blog, como já contei aqui algumas vezes. Minha vida mudou em vários sentidos e em algumas áreas importantes as mudanças vieram através do blog (minha vida profissional, por exemplo). Através do blog também me encontrei (em vários sentidos), oscilei e me perdi em tantos outros e tornei a me encontrar. Enfim, muita coisa aconteceu nesses quase 3 anos. Atualmente entrei pra escola de Teatro, estreio em novembro em um musical (e publicarei a intimação aqui pra TODOS vocês comparecerem, rs) e claro, eu quis trazer tudo isso pra esse espaço também e abrir espaço para outras pessoas se encontrarem e exporem suas opiniões. O novo blog terá uma coluna pra quem quiser escrever sobre temas da nossa sociedade no geral. Teremos também o momento talento e muita gente e projeto bacanas serão divulgados nesse espaço (se já quiser fazer parte da primeira remessa de talentos divulgados, envie seu vídeo ou fotos da sua arte para: camilalourencosilva@gmail.com. Claro, haverá um processo de seleção, mas garanto, teremos muitas surpresas boas).
O blog, que começou como um espaço despretensioso e pessoal agora vai ganhar novas funções, novas propostas.
Continuarei com as postagens de textos, mas agora teremos mais coisas, beeeem mais coisas, com alguns diferenciais que alcançarão vocês também.
Agora é contagem regressiva. Logo volto pra apresentar minha nova casa pra vocês, NOSSA nova casa, né? Porque há tempos que esse blog deixou de ser só meu e passou a ser nosso.

Beijos!


Vem aí: DAS RUAS!

Olá, pessoal.
Já pegando o embalo de uma das pegadas do novo site/blog (que tá quase saindo), deixo aqui a dica/convite cultural da semana.


"As ruas de Goiânia, que outrora dividiam sua arquitetura Art Déco com o expressivo verde das toscas mangubas de troncos ocos, nos dias atuais recortam parte de seu cenário com a arte subversiva, composta por uma trinca de cabras que fazem as pessoas entortarem as mentes com suas ações. Ao perambular pelas vias da cidade, você pode se deparar com um finése adesivo de “Cora Coralina Is Dead” e perceber que o sarcasmo daquele escrito vai além, e que a lapada com vara de amora nos bons costumes e na preservação do provincianismo goiano é evidente. O delicioso lambe “Eu Sou O Marginal Botafogo”, escrito com letras de grapixo, faz você pensar que está à margem de várias situações que acontecem na cidade, mas que os verdadeiros marginais são aqueles infames viciados “filhos do césio”, esquecidos, que fazem das pontes da alameda seus nobres abrigos. E o que dizer daqueles raparigos sem classe e das donzelas sebosas que se enraizaram ao longo da Avenida Goiás? Talvez nem saibam, mas são eles uma das inúmeras representatividades que o instigante “Pessoas Soltas” causa em quem se depara com a mensagem. Pra quem enfrenta o caótico trânsito goianiense, quando se depara com uma Bastet imponente numa similar placa de trânsito pregada num ponto de ônibus tosco e mal conservado, questiona desde a imagem provocante da deusa até a real intenção do autor para aquele feito. O Buda, também simbolizando uma placa sinalizadora, pode passar a mensagem de calma, numa rotina de veículos cada vez mais violenta, ou também a clara ideia de que acredita-se naquilo que é visto, seguir as orientações é um mero detalhe. Na correria safada diária, ao se deparar com um jovem torcedor do ilustre Goiânia Esporte Clube, trajado com o uniforme do mesmo, de capacete majestoso e cores fortes, a sensação de nostalgia e admiração é imediata, lágrimas podem escorrer pela face sem cerimônia. Expressões destacadas de velhotes em armários telefônicos localizados em calçadas de esquinas do centro e moiçolas de feições joviais em paredes imundas, cortam o seu deprimente hábito de ir e vir, fazendo das intervenções uma bela democratização da arte.

Os autores dessas belezuras citadas, do it yourself de servente competente, são os diplomatas Oscar Fortunato, Marcelo Peralta e Diogo Rustoff, que compõe o belo time de quermesse da exposição DAS RUAS, que faz parte da programação do Festival Vaca Amarela 2012, o qual chega neste ano em sua 11ª edição. A exposição parte de fora para dentro, ocupando a Fábrica Cultura Coletiva, trazendo a expressão das ruas para as paredes de concreto. E você que já teve algum tipo de contato com essas intervenções, essa é uma ótima oportunidade de conhecer todo o círculo de criação e confecção, que se expande no processo de toda essa cabarezagem, bater um bom lero com os cabras e conhecer mais trabalhos desses artistas que mudaram a minha e a sua forma de pensar nos dias quentes desta linda cidade. DAS RUAS, a ocupação dos desabrigados em prol da construção da cultura subversiva goiana."




Texto: Genor
Mais informações: http://plusgaleria.com.br

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Sobre pequenos anjos



Eu me faria uma galinha pra te ajuntar debaixo das asas.
Uma leoa pra caçar e te dar de comer.
Uma onça pra te proteger.
Uma super-heroina pra te salvar.
Mas, você, sem ter asas como uma ave, ou força como um leão, ou o instinto de uma onça ou super-poder do Super Homem me salva do ceticismo do mundo a cada vez que me sorri e olha para as mínimas coisas como se fossem as mais lindas paisagens do universo.
Com sua boca desdentada que engole as mãos com a mesma vontade e deslumbramento com que absorve cada novidade que a ti chega, me ensinas mais da vida que os anos no banco da universidade. E eu te dedico essas letras agora pra daqui alguns anos possas ler e saber que um dia já o mundo a você pareceu mágico e cada vez que essa magia refletia no seu olhar um pouco do meu mundo se salvava da condenação total de vestir-se sempre de igual.
Quando de braços abertos e indefesos se encaixaste  entre meus seios, sem procurar proteção conseguiste desenhar nos meus olhos as cores de um mundo que pode sim, ser bom, sim.



Para Henri Gabriel,
meu sobrinho,
meu pequeno anjo.


Camila Lourenço

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Pelo direito de ser mulherzinha


É, pois é, pois é. Os tempos mudaram, "vestimos" calças, conquistamos a presidência das empresas e da República. Diminuímos o tamanho do cabelo, da roupa e do medo. Votamos, reivindicamos, sustentamos. Pagamos conta, moramos sozinha, temos filhos, não temos filhos. Muita coisa mudou e hoje nós mulheres trazemos sobre os ombros as conquistas e consequências de nossas conquistas. Hoje temos que ser fortes, duras, sensuais e independentes. E, SOMOS, mas, eu quero deixar aqui um apelo: NOS DEIXEM SER MULHERZINHAS.
Se você não é mulher, não vai entender como é um saco ter que fingir que adora esse negócio de pegar e não se apegar. Não vai entender também que apesar de transarmos porque queremos, rola sim uma vontade e necessidade de ser tratada com cuidado e carinho no dia posterior.
Se você não é mulher, também não vai entender como faz cócegas no coração um elogio inesperado, ou uma ligação de boa noite. Talvez não entenda também que nos importamos sim com algumas coisinhas que fingimos não nos importarmos. Claro que você não vai entender. Nem mesmo nós entendemos.
Durante muito tempo, muitas de nós ficamos presas à obrigatoriedade implícita e inconsciente que precisamos ser fortes, modernas, desapegadas e fomos. E enquanto fomos o nosso melhor lado, o lado humano e sonhador, o lado feminino, morreu um pouquinho asfixiado dia após dia.
Nesse "adapte-se" aqui, "supere-se" acolá, "seja forte" ali fomos nos perdendo. De nós e presa a tanta coisa que o mundo e nós mesmas nos cobramos de ser, acabamos nos esquecendo que a vida pode ser mais leve. Então, pelo direito de ser mulherzinha hoje escrevo.
Entenda: vamos continuar chorando por motivos bestas na TPM (e as vezes fora dela também) e isso não quer dizer que sejamos fracas, apenas que as vezes, sentimos demais. Perceba que somos sim as independentes que vocês acham que somos, mas que um colo e abraço em um dia tenso nunca será por nós visto como um presente ingrato.
Temos desejo. Sangue correndo nas veias e é pra nós um feito quase heroico cada vez que cedemos a eles, mas que, sim, amargamos muitas e muitas sensações inconscientes quando assim o fazemos sem ter no fundo algumas certezas que gostaríamos.
E nós,mulheres,entendamos de uma vez que não é preciso burlarmos crenças e valores que sempre nos acompanharam somente porque a sociedade nos grita "deixe de ser brega. O que que tem ser assim?".
Quando nos aceitamos e aceitamos inclusive o que realmente não têm a ver conosco, tendemos a nos colocarmos no nosso ponto exato no mundo, que por estarmos onde realmente queríamos estar, deixa de nos sufocar.
Então, pelo direito de ser mulherzinha, de se permitir mulherzinha hoje eu grito.

'De tantas mil maneiras que ser mulherzinha pode ser, estou certa que várias dessas irão nos agradar."




Camila Lourenço

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

O que é aventura?

A resposta veio rápido quando lhe perguntaram: 
O que você quer?
A sorte de uma vida vestida de vida 
e todo amor que houver nessa vida.

Nada das emoções oscilantes dos filmes, ou o falso céu/inferno das novelas globais.
Com o tempo entendemos que a cena pra brilhar é o dia, que se veste de novo a cada manhã e estende o tapete vermelho pra passarmos quer seja como protagonista, coadjuvante, maltrapilho, fina estampa, bem resolvido, inseguro ou qualquer personagem que queiramos nos vestir. O tapete vermelho do dia recebe com a mesma atenção o quer que queiramos ser.
Que serventia teria todo ouro do mundo, as aventuras dos melhores filmes se a rotina a nós parecer bicho papão?
O rio só é rio porque a água decidiu continuar seu curso. Faz parte da rotina da água do rio fluir e fluir e só. E nessa rotina simples surgem as grandes aventuras, como moldar uma pedra aqui, ser uma queda d'água acolá.
Aventura mesmo é levantar da cama, ler os noticiários, se revoltar, se indignar e ainda assim conseguir notar a beleza da paisagem no caminho pro trabalho. Aventura mesmo é trocar de emprego quando não está satisfeito mesmo já tendo passado dos 40. Mudar pra cidade que sempre quis desde criança. Tirar férias com a família; divorciar depois de reconhecer que o tempo de andarem a mesma estrada acabou e casar de novo por entender que o amor se veste de único em cada pessoa. Aventura é arriscar amar mesmo depois de descobrir que o amor não é algo tão simples como contavam. É chamar aquela garota pra sair de novo mesmo não tendo certeza do sim. É começar um projeto novo. É organizar a vida, dividir o tempo. Aventura mesmo é colocar as dívidas no papel e encarar o fato de que não dá pra transformar sonhos em metas se damos passos maiores que as pernas. Aventura é ir de ônibus para o trabalho e mesmo assim conseguir conservar o bom humor. Aventura é conseguir enxergar o que tem de bom na vida e agradecer por isso. Aventura é cair em si e ver que viver reclamando é uma moda pra lá de porre e idiota. Aventura é parar de se boicotar e fazer a dieta que sabe que precisa. É ver a si como é e ainda assim, se gostar e se perdoar. É tentar, fracassar e tentar de novo, por entender que cada fracasso é apenas o sucesso dando uma dica de como não fazer. Aventura é parar de sobreviver e começar viver.
Aventura é aceitar que a vida é sim roteiro de cinema, mas com muito mais pormenores do que cabem na telona.

Camila Lourenço



terça-feira, 31 de julho de 2012

Do que nos ajuda ficar de pé

Todo mundo tem os pilares nos quais se apoia quando a coisa aperta, né? Eu tenho os meus e vou compartilhar dois.
Quando a coisa tá lascada e eu tomo consciência da nossa solitude no mundo e da real presença da ausência em mim, eu sento num parque, ouço Fix You e finjo que é Deus cantando pra mim.
Meu segundo pilar é esse texto do Jobs. Ele sempre me encantou, desde a primeira vez que ouvi e sempre, sempre que releio vejo e sinto coisas diferentes.
Então, caso algum de vocês precise de um pilar também, deixo aqui esses dodóis do meu coração pra vocês.

"Você tem que encontrar o que você ama"

Estou honrado de estar aqui, na formatura de uma das melhores universidades do mundo. Eu nunca me formei na universidade. Que a verdade seja dita, isso é o mais perto que eu já cheguei de uma cerimônia de formatura. Hoje, eu gostaria de contar a vocês três histórias da minha vida. E é isso. Nada demais. Apenas três histórias.

A primeira história é sobre ligar os pontos.

Eu abandonei o Reed College depois de seis meses, mas fiquei enrolando por mais 18 meses antes de realmente abandonar a escola. E por que eu a abandonei? Tudo começou antes de eu nascer. Minha mãe biológica era uma jovem universitária solteira que decidiu me dar para a adoção. Ela queria muito que eu fosse adotado por pessoas com curso superior. Tudo estava armado para que eu fosse adotado no nascimento por um advogado e sua esposa. Mas, quando eu apareci, eles decidiram que queriam mesmo uma menina.

Então meus pais, que estavam em uma lista de espera, receberam uma ligação no meio da noite com uma pergunta: “Apareceu um garoto. Vocês o querem?” Eles disseram: “É claro.”

Minha mãe biológica descobriu mais tarde que a minha mãe nunca tinha se formado na faculdade e que o meu pai nunca tinha completado o ensino médio. Ela se recusou a assinar os papéis da adoção. Ela só aceitou meses mais tarde quando os meus pais prometeram que algum dia eu iria para a faculdade. E, 17 anos mais tarde, eu fui para a faculdade. Mas, inocentemente escolhi uma faculdade que era quase tão cara quanto Stanford. E todas as economias dos meus pais, que eram da classe trabalhadora, estavam sendo usados para pagar as mensalidades. Depois de seis meses, eu não podia ver valor naquilo.

Eu não tinha idéia do que queria fazer na minha vida e menos idéia ainda de como a universidade poderia me ajudar naquela escolha. E lá estava eu, gastando todo o dinheiro que meus pais tinham juntado durante toda a vida. E então decidi largar e acreditar que tudo ficaria ok.

Foi muito assustador naquela época, mas olhando para trás foi uma das melhores decisões que já fiz. No minuto em que larguei, eu pude parar de assistir às matérias obrigatórias que não me interessavam e comecei a frequentar aquelas que pareciam interessantes. Não foi tudo assim romântico. Eu não tinha um quarto no dormitório e por isso eu dormia no chão do quarto de amigos. Eu recolhia garrafas de Coca-Cola para ganhar 5 centavos, com os quais eu comprava comida. Eu andava 11 quilômetros pela cidade todo domingo à noite para ter uma boa refeição no templo hare-krishna. Eu amava aquilo.

Muito do que descobri naquela época, guiado pela minha curiosidade e intuição, mostrou-se mais tarde ser de uma importância sem preço. Vou dar um exemplo: o Reed College oferecia naquela época a melhor formação de caligrafia do país. Em todo o campus, cada poster e cada etiqueta de gaveta eram escritas com uma bela letra de mão. Como eu tinha largado o curso e não precisava frequentar as aulas normais, decidi assistir as aulas de caligrafia. Aprendi sobre fontes com serifa e sem serifa, sobre variar a quantidade de espaço entre diferentes combinações de letras, sobre o que torna uma tipografia boa. Aquilo era bonito, histórico e artisticamente sutil de uma maneira que a ciência não pode entender. E eu achei aquilo tudo fascinante.

Nada daquilo tinha qualquer aplicação prática para a minha vida. Mas 10 anos mais tarde, quando estávamos criando o primeiro computador Macintosh, tudo voltou. E nós colocamos tudo aquilo no Mac. Foi o primeiro computador com tipografia bonita. Se eu nunca tivesse deixado aquele curso na faculdade, o Mac nunca teria tido as fontes múltiplas ou proporcionalmente espaçadas. E considerando que o Windows simplesmente copiou o Mac, é bem provável que nenhum computador as tivesse.

Se eu nunca tivesse largado o curso, nunca teria frequentado essas aulas de caligrafia e os computadores poderiam não ter a maravilhosa caligrafia que eles têm. É claro que era impossível conectar esses fatos olhando para frente quando eu estava na faculdade. Mas aquilo ficou muito, muito claro olhando para trás 10 anos depois.

De novo, você não consegue conectar os fatos olhando para frente. Você só os conecta quando olha para trás. Então tem que acreditar que, de alguma forma, eles vão se conectar no futuro. Você tem que acreditar em alguma coisa – sua garra, destino, vida, karma ou o que quer que seja. Essa maneira de encarar a vida nunca me decepcionou e tem feito toda a diferença para mim.

Minha segunda história é sobre amor e perda.

Eu tive sorte porque descobri bem cedo o que queria fazer na minha vida. Woz e eu começamos a Apple na garagem dos meus pais quando eu tinha 20 anos. Trabalhamos duro e, em 10 anos, a Apple se transformou em uma empresa de 2 bilhões de dólares e mais de 4 mil empregados. Um ano antes, tínhamos acabado de lançar nossa maior criação — o Macintosh — e eu tinha 30 anos.

E aí fui demitido. Como é possível ser demitido da empresa que você criou? Bem, quando a Apple cresceu, contratamos alguém para dirigir a companhia. No primeiro ano, tudo deu certo, mas com o tempo nossas visões de futuro começaram a divergir. Quando isso aconteceu, o conselho de diretores ficou do lado dele. O que tinha sido o foco de toda a minha vida adulta tinha ido embora e isso foi devastador. Fiquei sem saber o que fazer por alguns meses.

Senti que tinha decepcionado a geração anterior de empreendedores. Que tinha deixado cair o bastão no momento em que ele estava sendo passado para mim. Eu encontrei David Peckard e Bob Noyce e tentei me desculpar por ter estragado tudo daquela maneira. Foi um fracasso público e eu até mesmo pensei em deixar o Vale [do Silício].

Mas, lentamente, eu comecei a me dar conta de que eu ainda amava o que fazia. Foi quando decidi começar de novo. Não enxerguei isso na época, mas ser demitido da Apple foi a melhor coisa que podia ter acontecido para mim. O peso de ser bem sucedido foi substituído pela leveza de ser de novo um iniciante, com menos certezas sobre tudo. Isso me deu liberdade para começar um dos períodos mais criativos da minha vida. Durante os cinco anos seguintes, criei uma companhia chamada NeXT, outra companhia chamada Pixar e me apaixonei por uma mulher maravilhosa que se tornou minha esposa.

A Pixar fez o primeiro filme animado por computador, Toy Story, e é o estúdio de animação mais bem sucedido do mundo. Em uma inacreditável guinada de eventos, a Apple comprou a NeXT, eu voltei para a empresa e a tecnologia que desenvolvemos nela está no coração do atual renascimento da Apple.

E Lorene e eu temos uma família maravilhosa. Tenho certeza de que nada disso teria acontecido se eu não tivesse sido demitido da Apple.

Foi um remédio horrível, mas eu entendo que o paciente precisava. Às vezes, a vida bate com um tijolo na sua cabeça. Não perca a fé. Estou convencido de que a única coisa que me permitiu seguir adiante foi o meu amor pelo que fazia. Você tem que descobrir o que você ama. Isso é verdadeiro tanto para o seu trabalho quanto para com as pessoas que você ama.

Seu trabalho vai preencher uma parte grande da sua vida, e a única maneira de ficar realmente satisfeito é fazer o que você acredita ser um ótimo trabalho. E a única maneira de fazer um excelente trabalho é amar o que você faz.

Se você ainda não encontrou o que é, continue procurando. Não sossegue. Assim como todos os assuntos do coração, você saberá quando encontrar. E, como em qualquer grande relacionamento, só fica melhor e melhor à medida que os anos passam. Então continue procurando até você achar. Não sossegue.

Minha terceira história é sobre morte.

Quando eu tinha 17 anos, li uma frase que era algo assim: “Se você viver cada dia como se fosse o último, um dia ele realmente será o último.” Aquilo me impressionou, e desde então, nos últimos 33 anos, eu olho para mim mesmo no espelho toda manhã e pergunto: “Se hoje fosse o meu último dia, eu gostaria de fazer o que farei hoje?” E se a resposta é “não” por muitos dias seguidos, sei que preciso mudar alguma coisa.

Lembrar que estarei morto em breve é a ferramenta mais importante que já encontrei para me ajudar a tomar grandes decisões. Porque quase tudo — expectativas externas, orgulho, medo de passar vergonha ou falhar — caem diante da morte, deixando apenas o que é apenas importante. Não há razão para não seguir o seu coração.

Lembrar que você vai morrer é a melhor maneira que eu conheço para evitar a armadilha de pensar que você tem algo a perder. Você já está nu. Não há razão para não seguir seu coração.

Há um ano, eu fui diagnosticado com câncer. Era 7h30 da manhã e eu tinha uma imagem que mostrava claramente um tumor no pâncreas. Eu nem sabia o que era um pâncreas.

Os médicos me disseram que aquilo era certamente um tipo de câncer incurável, e que eu não deveria esperar viver mais de três a seis semanas. Meu médico me aconselhou a ir para casa e arrumar minhas coisas — que é o código dos médicos para “preparar para morrer”. Significa tentar dizer às suas crianças em alguns meses tudo aquilo que você pensou ter os próximos 10 anos para dizer. Significa dizer seu adeus.

Eu vivi com aquele diagnóstico o dia inteiro. Depois, à tarde, eu fiz uma biópsia, em que eles enfiaram um endoscópio pela minha garganta abaixo, através do meu estômago e pelos intestinos. Colocaram uma agulha no meu pâncreas e tiraram algumas células do tumor. Eu estava sedado, mas minha mulher, que estava lá, contou que quando os médicos viram as células em um microscópio, começaram a chorar. Era uma forma muito rara de câncer pancreático que podia ser curada com cirurgia. Eu operei e estou bem.

Isso foi o mais perto que eu estive de encarar a morte e eu espero que seja o mais perto que vou ficar pelas próximas décadas. Tendo passado por isso, posso agora dizer a vocês, com um pouco mais de certeza do que quando a morte era um conceito apenas abstrato: ninguém quer morrer. Até mesmo as pessoas que querem ir para o céu não querem morrer para chegar lá.

Ainda assim, a morte é o destino que todos nós compartilhamos. Ninguém nunca conseguiu escapar. E assim é como deve ser, porque a morte é muito provavelmente a principal invenção da vida. É o agente de mudança da vida. Ela limpa o velho para abrir caminho para o novo. Nesse momento, o novo é você. Mas algum dia, não muito distante, você gradualmente se tornará um velho e será varrido. Desculpa ser tão dramático, mas isso é a verdade.

O seu tempo é limitado, então não o gaste vivendo a vida de um outro alguém.

Não fique preso pelos dogmas, que é viver com os resultados da vida de outras pessoas.

Não deixe que o barulho da opinião dos outros cale a sua própria voz interior.

E o mais importante: tenha coragem de seguir o seu próprio coração e a sua intuição. Eles de alguma maneira já sabem o que você realmente quer se tornar. Todo o resto é secundário.

Quando eu era pequeno, uma das bíblias da minha geração era o Whole Earth Catalog. Foi criado por um sujeito chamado Stewart Brand em Menlo Park, não muito longe daqui. Ele o trouxe à vida com seu toque poético. Isso foi no final dos anos 60, antes dos computadores e dos programas de paginação. Então tudo era feito com máquinas de escrever, tesouras e câmeras Polaroid.

Era como o Google em forma de livro, 35 anos antes de o Google aparecer. Era idealista e cheio de boas ferramentas e noções. Stewart e sua equipe publicaram várias edições de Whole Earth Catalog e, quando ele já tinha cumprido sua missão, eles lançaram uma edição final. Isso foi em meados de 70 e eu tinha a idade de vocês.

Na contracapa havia uma fotografia de uma estrada de interior ensolarada, daquele tipo onde você poderia se achar pedindo carona se fosse aventureiro. Abaixo, estavam as palavras:

“Continue com fome, continue bobo.”

Foi a mensagem de despedida deles. Continue com fome. Continue bobo. E eu sempre desejei isso para mim mesmo. E agora, quando vocês se formam e começam de novo, eu desejo isso para vocês. Continuem com fome. Continuem bobos."


Steve Jobs