sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Posse

Essa semana um dos blogs que eu mais gostava de ler foi excluido.
Minha primeira reação foi me sentir roubada. Roubada dos meus momentos, privada das minhas lágrimas, impedida de sentir todas as sensações boas e fortes que eu experimentava quando o lia. Foi então que percebi que somos donos de nossas escolhas, mas, depois que as fazemos, não somos mais donos dos frutos.
Se você canta, pode ser dono da sua voz, mas não das sensações que ela provoca em quem te ouve.
Se você compõe, pode ser proprietário das suas letras, mas não das palavras em forma de sentimentos que povoam a mente de quem escuta sua mensagem.
Você é dono do seu sorriso, mas não da alegria radiante que toma quem o recebe.
Você é dono das suas lágrimas, mas não do aperto no peito de quem te presencia derramá-las.
Você é dono de você, mas não do efeito devastador que pode provocar em muitas pessoas.
No final, somos todos um pouco "donos" de cada um. Somos invadidos todos os dias pelos efeitos de escolhas alheias. A alegria, a indignação, a dor... sempre há um pouco de alguém em nossos sentimentos.
Se você tem algo de bom a oferecer, é sua escolha repassar ou não. Mas, deixa de ser papel seu fazer vomitar o efeito que isso terá sobre a vida de quem te sentir.
Como diz uma música que uma amiga minha citou esses dias: "todos temos o direito de ir e vir, mas eu tenho o direito de querer ficar."
Não se iluda. Sempre haverá alguém que de uma forma ou de outra será tocado por você, mesmo quando você for inexpressivo.

"O que sinto através de você me pertence!"


Camila Lourenço

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

"Se lembre de celebrar mais!"

Quanta mudança alcança o seu ser?
Quantas você deixa te alcançar?
Você já se lembou de celebrar esse ano, se lembrou de celebrar hoje?

Muita coisa mudou em meu ser depois que conheci O Teatro Mágico, e além de experimentar um misto de sensações quando os ouço, fica sempre uma doçura no dia e na vida depois que a melodia se encerra.
O texto de hoje na realidade não é um texto. É a música deles e um convite: Celebre mais!!!




P.S: Ainda vou cantar com eles...vocês vão ver! Como e quando eu não sei, mas vai ser nessa vida, eu me prometo! Sonhar não é pecado, não é pago e impulsiona a vida, e O Teatro Mágico me faz sonhar tanto... Obrigada Deus, por colocar pessoas como eles no mundo!

Camila Lourenço

Ele chega com o imprevisível

Estive pensando e acho que sei o que faz a gente amar, ou talvez, o que me faça amar.
O imprevisível me faz amar.
Se tudo corre como o pensado, tomo precauções preventivas, tiro o provavel futuro "problema" do foco, penso propositalmente em outras coisas. Mas, quando as atitudes dos outros, sincronizadamente com algo que não sei definir o quê, pegam-me de surpresa, nessa hora minhas pernas bambeiam, e sei que estou em território de risco.
E não estou falando das tão sonhadas surpresas, que nós mulheres muitas vezes ansiamos quando estamos em um relacionamento. Não. Estou falando daquelas atitudes imprevisíveis das reações, de alguém que incoscientemente sabe da instabilidade do terreno.
Não há regras, não há formulas. É um olhar dado que penetra a alma, é um abraço que atravessa o peito. é um beijo que gela as borboletas que flutuam no estômago.
Pra quem já penou em alguns capítulos para esquecer e/ou aprender a conviver com o amor. Pra quem já se policiou, se castigou por amar uma idealização. Pra quem a grossos modos falando, quebrou a cara, não fica difícil respirar fundo e aprender a conviver e superar algo ou alguém que nos balança. Mas, não há experiência alguma, não há receita nenhuma que previna os estragos devastadores que o imprevisível traz.

Entendi a peça do quebra cabeça que faltava, que me prova que indubitavelmente, posso afirmar: eu não sei a hora nem com quem o amor irá chegar.

Que ele chegue logo, e que me pegue assim: prevenidamente desprevinida.

Camila Lourenço

Recheios de um dia

Os dias sempre são cheios, mesmo os vazios.
Alguns são cheios de acontecimentos, outros de tédio.
Uns são cheios de conhecimento, outros, de ócio.
Nenhum dia passa em branco, mesmo quando nada emocionantemente importante acontece.
O meu hoje foi bem recheado de várias coisas e sensações diferentes.
Começou na madrugada que passei acordada ouvindo as músicas de um celular esquecido, carregado de lembranças. Depois, se estendeu no decorrer de um dia em que fui do medo por me ver vunerável a sentir muita coisa novamente, ao tédio do vazio, à indignação da falsa puritaniedade que invade o mundo e terminou agora, quando, ao ler um texto, me deparei com um diálogo onde um garotinho, de cinco anos, perguntando sobre seu primeiro amor, solta o seguinte questionamento: "Mas então por que o amor existe se a gente não pode sentir?" E então, como um tapa recebido num momento de crise histérica, acordei, e me dei conta do quanto as vezes tudo está errado.
Desejamos ser alcançados, mas temos medo de nos abrirmos e sermos magoados. O vazio continua e continuará sendo um espaço amplo demais para ser entendido. A maioria da nossa sociedade continuará evitando certos assuntos por falso pudor, como sexo, homossexualismo, insatisfação conjugal, medo, e, a maioria de nós, continuará sem sentir o sabor do amor novamente, por que, por não termos tido boas experiências, ou por termos um dia nos magoado, teremos dificuldade em ter novamente a coragem para mergulhar nesse lago profundo de riscos.
Vou terminar esse texto sem a solução de muitos dos problemas e questionamentos que esse dia recheado trouxe. A maioria de nós continuaremos fugindo do que muitas vezes queremos. Muitos continuarão preferindo a cegueira da ignorancia a aceitar que o diálogo continua sendo a solução para assuntos supostamente proibidos. Mas, a pergunta daquele garotinho naquele texto, vai ficar ecoando na minha memória, me fazendo revirar os baús do coração, talvez em vão, mas com aquela concessão resignada daqueles que ouvem da boca de um pequeno exatamente o que sempre pensou mas nunca teve coragem de admitir: " por que o amor existe se a gente não pode sentir?"

Camila Lourenço

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Sem título

Devo estar perdida em algum lugar, tão longe e bem econdida que nem eu mesma consigo me achar.
O vento parou de soprar, o silêncio impera e nem mesmo as lembranças me fazem mais companhia.
O casulo criado para proteção se tornou uma crosta, grossa e dura, difícil de quebrar que impossiblita o sol de penetrar.
Não há mais a boazinha.
Não há mais a revoltada.
Cessaram-se todas as tentativas.
Ficou o marasmo e a descrença. Porém, nem um nem outro grande o suficiente para que viver (de verdade) não fosse sempre um convite tentador e aceito.Porém, sem profunidade em nada, e sem permitir que ultrapassem a linha protetora imaginária criada.
Quando foi que a proteção virou prisão?
Quando foi que o respirar fundo para ser forte se tornou ceticismo?
E onde está a "luz" que sempre aparece quando o túnel acaba?

Talvez não haja mesmo finais. Talvez seja isso: uma sequência de continuações, de capítulos com finais subentendidos.
Porém, não havia essa parte, essa condição, registrada nos livros das histórias que me contaram antes de dormir.E por não estar registrada nos livros segundo os quais, me foi ensinado a "acreditar", me vejo despreparada para ser sempre cética. Mas afinal, ninguém está preparado pra isso. Todo mundo simplesmente aprende dançar conforme a música, deixando assim de sobreviver para viver.
Se o percurso é sempre mais importante e rico que a chegada, vou me atentar então à paisagem. Talvez ela dê sentido ao silêncio gritante e cortante que impera aqui dentro.

Camila Lourenço

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Amigos:Um estado permanente

Pra mim, existe um acordo pré fixado, mais antigo que o mundo, onde está escrito: "amigos são pra sempre!"
Na minha cabecinha interiorana, não cabe a palavra "ex-amigo".
Não se deixa de ser amigo por que se gosta de um picolé diferente, de uma banda, de um grupo, de sexos diferentes.
Não se deixa de ser amigo porque há decepções. Não, não se deixa!
Ter amigo, não é não ser só, é estar só mas saber que pode pegar o telefone e ter de quem ouvir ao menos um sermão.
Ser amigo, não é concordar com tudo, não é ser igual. É as vezes ser diferente, e fazer dessa diferença um acréscimo na vida um do outro.
Ser amigo não é trocar palavras todos os dias, não é sair juntos para balada. Todo mundo faz isso, até inimigos.
Ser amigo é saber-se ouvido mesmo no silêncio da distância. É saber-se junto mesmo através do tempo. É ter aquele que em épocas de vacas magras, topará de bom grado fazer um passeio sem custos com você, mesmo que ele se resuma a olhar estrelas sentados em frente a um lago.
Ser amigo não é ter/dar toda a atenção sempre. Não é ter ciúme e não é não ter. Ser amigo é essa sensação gostosa de confiança, apesar da imperfeição e diferença. É ter um refúgio, mesmo não trocando palavras por dias ou anos a fio.
É seguir rumos diferentes, mas saber, que mesmo do outro lado do mundo, existe alguém que torce por nós e com quem podemos contar.
Ser e ter amigo é um resumo de muita coisa, menos perfeição. É a mistura dos gostos, das raças, das histórias.
Vão se os amores, mudam-se as histórias, mudam-se os gostos, muda o cenário, mas o amigo permanece, mesmo que seja somente em lembrança.
Um dia, fiz uma promessa a uma amiga de que ela nunca mais estaria sozinha.E vou cumpri-la, mas não fisicamente, ou trocando emails ou scraps todos os dias. Talvez, quem saiba, nem as ligações sejam constantes como ela gostaria e/ou esperava. Mas ela sabe, eu estou com ela no coração e a trago comigo no peito também, e num tempo chamado "para sempre" é o tempo no qual comigo ela poderá contar.
Não é dever de nosso amigos adivinhar nossos gostos, ou estar sempre presente. Não é nosso dever compartilhar tudo ou ignorar o fato de que a vida segue seu curso. Porém, o verdadeiro dever, uma parte de nós, a mais importante, jamais esquece:Amar pra sempre e agradecer a Deus por todas as mudanças que através de nossos amigos experimentamos.

Camila Lourenço

P.S: Please, don't leave me?!

Equilíbrio


Trago no peito um jardim de sonhos.
Tenho entre os sorrisos uma série de lágrimas represadas.
Tenho todas as vontades enraizadas na alma.
...de sentir a adrenalina tornar a pulsação mais forte.
...de ficar sem ar, perdida num mar de abraços.
...de perder a respiração num beijo profundo.
...de me perder em "você" e ainda assim, me encontrar.
... de ter a certeza que vai dar certo, que no final a sensação "valeu a pena" triunfará.
Vontade de tentar muito mais, e acertar vezes mais também.
Cabe muito aqui no peito, e ainda assim, mesmo tendo um espaço tão vasto ainda a ser preenchido, ele parece apertado.
Creio que todos nós mudamos. Somos um amontoado de recomeços. Mudando de gosto, de opinião, de rumo. E de tanto recomeçar, chega um momento em que mal conseguimos ver o ser que éramos quando começamos o 'começo'.
De tanto recomeçar, ando precisando me encontrar. Assoprar as cinzas e ver o que sobrou do que fui. Ver o que preciso resgatar, ver de que preciso me livrar. Se bem, que dessa bagagem de coisas que precisam ser jogadas fora só sobrou mesmo o medo. Aquele medinho profundo que bate a porta sempre que algo ou alguém chega e traz consigo a sensação de que tudo pode mudar de verdade.
Tenho medo da 'água' fria, mas, mesmo nos poços mais gelados, quando resolvi entrar, sempre mergulhei de uma vez.
Está na hora de buscar o equilíbrio. Aquele que talvez levará consigo essa coceirinha interior que me faz sempre acreditar que eu preciso ir em busca do que ainda não sei o que ou quem é.


Camila Lourenço