quarta-feira, 11 de julho de 2012

terça-feira, 10 de julho de 2012

União



Há um riso bobo que se pendura no peito sempre que teus olhos desnudam os meus. E como raio de sol no último dia de inverno, derrete o gelo e abre espaço para as flores sorrirem.
Há uma mão que me resgata da submersão e me traz a tona para respirar. E não é a sua, é a minha. E a cada golfada de ar que rasga meus pulmões eu inspiro melhor o perfume que tua pele canta pra minha. E quando o frio da distância em minha carne toca, um casulo forte a quem carinhosamente apelidei de confiança me nina e deita comigo ao dormir. E quando sua mão enfim consegue alcançar a minha, até a tempestade do mundo lá fora se cala e naqueles instantes há apenas você e eu e seu olhar pintando minha noite de estrelas e fazendo a lua mais linda nascer na retina do meu olhar. E aí pouco importa o mundo, o barulho ou o vento rasgando minhas roupas, guardada em teu beijo eu te encontro, você me encontra e nos damos conta que nem todos os dias são de festa, mas que há sempre motivos para celebrar e que escrever a vida com as mãos unidas é um dos maiores deles.


Serei teu porto quando a chuva forte desabar,
tua dama quando a vida oferecer a música para dançar,
tua amante quando o desejo fizer tua pele queimar
E minha, pra poder ser tua
Pra que meu coração pra sempre saiba como conjugar bem o nosso verbo amar.

Camila Lourenço

segunda-feira, 9 de julho de 2012

O encontro


Ficou vários minutos parado observando aquela figura.
Observou o corpo, a expressão, o cabelo e até mesmo as rugas. Enxergou ali alguém cansado mas de uma vivacidade tão grande que contagiava. Emanava vida daquele meio sorriso que parecia estar sempre pendurado naqueles olhos. Não observou roupas, deixou-se hipnotizar somente pela alma. E ali, olho no olho sentiu crescer uma admiração crescente e grande por aquele ser humano sem armaduras que conseguia ver através daquela alma, e num ato carregado de amor, coragem e toda sorte de sentimentos bons, deu um passo adiante e ofereceu o que sempre havia cobrado do mundo, pessoas e vida: amor. E fechando os olhos se inclinou  e sentiu na boca o gelo do toque. Retirou os lábios, deu um sorriso. Olhou novamente pro espelho e naquele momento sim, o início da sua vida existiu.




Camila Lourenço

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Desapego

Desapegar da dor é entender que a felicidade tem roupas que desconhecemos e que apesar de não ser exatamente como esperávamos, ela sim, nos encontra.





Camila Lourenço

Sobre o ciúme e outras (des)graças

Desapego é como milagre: 
Faça sua parte que acontece.


Creio que as vezes nos esqueçamos de quem somos. As vezes o espelho quebra, a memória falha, os olhos fundem e o amor próprio tira férias.
Aceitamos coisas que não precisamos aceitar, choramos por quem e pelo quê não deveríamos chorar. Nos sujeitamos a sentimentos bobos de pequenez e nos esquecemos que somos o que quisermos ser, e podemos ter o que quisermos ter.
Ciúme e falta de confiança - em si, nos outros -  são coisas super comuns de se sentir e geralmente surgem em épocas nada estáveis da auto-estima. Medo de perder, raiva, descrença por essa ou aquela atitude. Vemos pessoas que antes sequer conhecíamos com o dom eterno de nos fazer felizes e não enxergamos que todo o "poder" que a elas foi dado, partiu de nossas mãos e que esse mesmo poder morre também no exato momento que decidimos que assim o será.
Trazer à memória que não importa onde ou com quem estejamos, estamos porque queremos, faz toda diferença para entendermos que da mesma forma que entramos, podemos sair se assim o quisermos.
Bem diz vários textos e teorias que o que amamos na verdade, é o amor, e que projetamos no objeto amado toda a expectativa que criamos no decorrer da vida. É necessário, no entanto nos lembrarmos que sim, amores vêm e vão. Que amar é uma escolha e não amar, também. Que pessoas são sim substituíveis e que o que faz cada um ser ou não especial e/ou inesquecível é também a forma como deixamos que penetrem em nossa alma e que cabe a nós decidirmos sim, até que ponto queremos e vale a pena ir.
Cabe a nós enxergarmos que o mundo é bem maior que todas essas pequenices e abrirmos os braços e vivê-lo, independente de qualquer coisa ou de quem quer que seja.
Se o mundo acabar hoje, estejamos dançando... independente de quem conosco baila.
E aos que de todos esses males padecem, um alento: uma hora você cansa e abre os braços pra vida.
Limpe o espelho, vista seu melhor sorriso. A vida não pára e a música está tocando: vá dançar.
Nos amemos melhor para amar melhor.

Camila Lourenço

terça-feira, 3 de julho de 2012

Só por hoje


"Nosso mal é tatuar no braço o “Carpe diem” e esquecer de tatuá-lo na alma, no coração.'

Só por hoje eu não vou me prometer nada. Nos prometer nada. Só por hoje eu vou apenas viver.
Só por hoje eu vou viver o agora sem os fantasmas do passado ou os medos do futuro.
Só por hoje.
Só por hoje eu vou absorver sua essência humana com a consciência decente de nossas limitações.
Só por hoje eu vou te amar sem pensar no tempo, sem correr no encalço da perfeição.
Só por hoje darei as mãos à você e sintonizadamente unidos, celebrarei a vida.
Só por hoje "serei o que sou no instante agora onde ontem, hoje e amanhã são a mesma coisa. Sem a idéia ilusória de que o dia, a noite e a madrugada são coisas distintas separadas pelo canto de um galo velho."
Só por hoje eu vou nos fazer e ser feliz até que chegue a noite e embale meus sonhos e amanhã eu recomece todo o "só por hoje" mais uma vez.



 Camila Lourenço

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Sobre o verbo amar


Leva tempo, mas uma hora a gente entende. Entende que o amor pouco ou nada tem a ver com a satisfação primeira, única e exclusivamente nossa. Entende que qualquer relacionamento se torna eterno se sua base tem como estrutura a amizade. Entende e aceita que o amor também é sinônimo de renúncia e compreensão e absorve por fim que não é amor aquilo que não nos permite aceitar as pessoas como elas são.
Leva um tempo mas a gente aprende que amar é mesmo coisa pra fortes. Fortes não porque nunca caem ou se machucam, mas sim porque jamais desistem de tentar.

Camila Lourenço