sexta-feira, 25 de março de 2011

Sobre se libertar


Poucas dores resistem à queda das roupas de drama.
Dispa-se.


Camila Lourenço

Meu querido conta-gotas de felicidade

"Eu acho tão bonito isso de ser abstrato baby. A beleza é mesmo tão fugaz..." Lulu Santos

Eu tinha a vida pulsando na boca sempre que ele me tocava.
As vezes, a mastigava como se fosse sucrilho, só para ouvir aquele som gostoso e crocante. As vezes, deixava parada entre o céu da boca e a língua, derretendo, só pra sentir bem demoradamente cada sensação. E eu a sentia descer queimando pela minha garganta, num gosto disfome que unia amargo, salgado, doce, azedo e se tornava no total um sabor que me viciava a cada partícula digerida.
Era como o céu enluarado das fazendas. Como as tardes de verão carregadas de nuvens escurecidas de São Paulo. Era um tudo e um nada cheio de tudo. Era inconsequência, risco, vida... era ser ser humano cru e nu.
E os cantos da minha boca tocavam as orelhas a cada besteira ouvida, sentida, subentendida.
E eu aprendia querer bem independente do quê, como, ou quem era. Só queria bem.
Aprendia ser curiosa e ouvir mais uma vez os sons que um dia a mim foram tidos por feios.
E no meio daquela bagunça toda, eu crescia. E de um jeito esquisito descobria que a vida é uma coisa meio assim mesmo, com um gosto diferente a cada dia. Sem fórmulas previsíveis. E que apreço nunca seria algo que eu doaria por merecimento. Era algo que simplesmente nasceria pelo que de uma maneira ou de outra, mesmo que de uma forma inconvencional conseguisse me pegar pelas mãos e me deitar numa cama gostosa e fofa chamada felicidade - ainda que momentânea. E eu aprendia que a felicidade, no fundo é isso mesmo: um amontoado de momentos.

Camila Lourenço

quinta-feira, 24 de março de 2011

Sabedoria que o tempo traz

"E quem me vê apanhando da vida, duvida que eu vá revidar..." Chico Buarque


Como disse Shackespeare, com o tempo a gente aprende. Aprende mesmo. Muita coisa.
Aprende que é melhor estar no volante da própria vida que no banco do passageiro.
Que somos fortes não porque nada nos abala, mas sim porque sabemos que temos capacidade de superar o que nos tira o chão.
Aprende a não dar-se por fiado nem fazer desconto pra que levem a nós mesmos, assim, sem merecer. E deixamos de ser generosos e paramos de dar frutos pra quem não planta nenhuma muda sequer.
Com o tempo aprendemos a conviver com os caroços no coração e descobrimos que não iremos morrer se não for a hora. Ou seja, tem coisas que podem doer o tanto que for, que não vão nos matar, e iremos até aprender fazer alguma coisa de útil com aquela dor.
Aprendemos que sentir saudade do que não temos é uma coisa idiota, mas que provavelmente, continuaremos sentindo.
Com o tempo a gente aprende a ser gente com a gente mesmo. E de todos os aprendizados, esse é o mais importante.



Camila Lourenço
(Obrigada Camila Heloise, pela imagem e por tantos aprendizados que me passa por tabela através de seus textos, e Sandrio, pela forma tão carinhosa e protetora com que se referiu a mim em seu blog. À todos que estão sempre passando por aqui, o meu muuuito obrigada!!! Saber esses olhinhos neste espaço me lembra o que é ganhar. Um beijo!)

quarta-feira, 23 de março de 2011

Presente diário


Não sou feita de metades. Sou composta por pedaços. Não sou só amarelo, sou aquarela.
E ter todas as cores fluindo do peito é o meu melhor castigo.
Melhor é experimentar o negro de uma soma de cores e saber que há um arco-íris de sensações para serem sentidas, que ficar preso sempre numa só cor e nunca saber como seria assistir o pôr-do-sol se o céu não estivesse laranjado.
O meu céu tem uma cor diferente todo dia. E esse é o meu presente mais especial.


"Love Story/Viva la vida - Classic Version by Jon Schmidt"

Camila Lourenço

terça-feira, 22 de março de 2011

O danado gostoso

Beijos bem dados me pegam pelas pernas, coxas, ancas, coração e alma. E de tão bons me parecem vir do inferno. Por que paraísos tão ao alcance da boca, só pode ser fruto do capeta.
...
Então, Deus, (desculpa), mas, podemos negociar o que significa céu-na-terra ao menos enquanto eu ainda estiver "viva" e por aqui?


Camila Lourenço

E não saber jogar é a minha sina


Só tem um momento que sei jogar: Quando não me importo.
Quando não gosto, quando não quero, quando não nada. Aí não é nem que jogo, que faço tipo. Eu só não quero mesmo. Nada.
Quando não é este o caso, os meus pés vivem entre as minhas mãos. Faço as coisas que tenho vontade, depois bato a cara na parede me chamando de otária, depois dou risada, depois fico noiada. E descubro que de fórmulas e regras eu não sei é nada.



Camila Lourenço

Pra ficar bem


Tudo bem que os pensadores fizeram a história. Tudo bem que por pensar demais, muitos ganharam guerras. Mas hoje, Deus, não quero fazer história, não quero ganhar guerra. Só quero deitar e dormir em paz.
Então, por favor, pode me ensinar a não pensar?



Camila Lourenço