segunda-feira, 14 de março de 2011

Uma bóia por favor

Deixa eu falar, deixa eu falar, por favor, deixa eu falar?
Deixa eu contar que eu já posso mudar de estrada, que já posso sair desse oceano que pulei querendo sentir o mar e a liberdade de estar nele sozinha.
Pode lançar a bóia. Pode me salvar. Já cansei desses braços livres e desse coração solto.
A armadura estava me pesando e acabei de tirá-la...agora ela já pousa no fundo do mar.
Eu nadei quando cansei de mergulhar e ver toda essa beleza sozinha, mas não cheguei à praia alguma, e sei que sem o salvamento não chegarei. Não vejo horizonte algum além dessa imensidão azul, que mesmo sendo linda e instigante se torna triste se vista sempre só por um par de olhos solitários.
Eu me rendo.
Me salva?


Camila Lourenço

O que cabe em quase toda situação

Tem dias que o que mais queremos é gritar todas as dores que machucam a alma. Apontar dedos na cara, chorar, colocar pingo nos is, se abrir e deixar a sinceridade dos pensamentos e sentimentos tomar conta de cada pedacinho de tudo que nos envolve.
Mas gritar nem sempre é pérmitido. Aliás, gritar na maioria das vezes não é aconselhável.
Então, nestes momentos, me recuo para o silêncio contido daqueles que sabem que o tempo é a solução para quase todos os problemas.



Camila Lourenço

sexta-feira, 11 de março de 2011

Das mentiras que contamos pra nós mesmos

A desvantagem de oferecer somente metade do nosso todo é que o que há em nós de mais profundo e sensível é o primeiro que não dá pra ser escondido.
A irônia disso tudo é que quase todos pensam exatamente o contrário.

Camila Lourenço

Tomando as rédeas

Sai de casa decidida. Entrei naquela loja e comprei váaarias latas de tintas, de todas as cores disponíveis.
Munida da minha arma, cheguei e nem pensei duas vezes: pintei toda aquela parede que me impedia de ver o sol com a mistura mais estranha e mais linda de cores que eu pude fazer.
Se vou ter que conviver todos os dias com a falta do meu sol, vou decidir ao menos que cor será a parede que se encontrará com minha visão.
Se eu enjoar dessas cores? Amanhã eu pinto de outra. Comprei tintas o suficiente para todos os becos sem saida que a vida, as pessoas ou mesma me impuser.


Camila Lourenço

quinta-feira, 10 de março de 2011

Minha dependência consentida

E quando eu coloco tudo em ordem, você vem e chuta meu castelo de areia, dança em cima dele e sorri pra mim com essa cara de não sei o quê, de menino pidão, de "vem dançar também'. E entre emputecida, envaidecida e apaixonada, eu sento enquanto assisto você sambar na areia olhando pra mim. E sem resistir às suas risadas me levanto e caio no samba com você também. E você me pega pela nuca e me beija, e ai eu entendo porque me deu tanto trabalho construir aquele castelo pra me entreter de você. E a gente cai no mar, e com as ondas batendo em nossos corpos molhados e unidos, pouco me importa o castelo, a areia, o escambal que seja. Eu só quero aquilo: Você. Comigo. Assim.
E esse é meu mal e o meu bem. Minha perdição e salvação.
Você me vicia.





Camila Lourenço

Das minhas manias bobas

Reler é sentir duas vezes.
Eu sinto duas vezes várias vezes.


Camila Lourenço

quarta-feira, 9 de março de 2011

Tempo do aspiro

Eu, que sei dos meus infernos, céus, montanhas-russas, solidão e companhias, prefiro as vezes parar para absorver o que não se fala, mas que se sente.
O que marca nem o tempo muda. Mas até mesmo com a tatuagem mais linda é preciso um tempo de carência para que a imagem do corpo que a recebeu volte a ser a conhecida de sempre.



Camila Lourenço